sexta-feira, 3 de junho de 2011

My way... Á minha maneira!


Não deve haver nada a vida, que provoque nas mulheres tanta opinião, como a maternidade...
Mulheres que nunca tiveram filhos, opinam. Mulheres que já tiveram um, acham que já tem a escola toda... mulheres que tiveram muitos... ui!...

Mulheres magras não dão leite bom, ou não vão conseguir parir pela via normal... não podemos comer laranjas, ou chocolate... não podemos isto, aquilo... bem vistas as coisas, não é podemos é fazer NADA.

Há alguns anos atrás, fui doula de um casal muito jovem... uns 19 anos... esta manhã acordei a pensar neles, nem sei bem porquê...

Ela trabalhava num café onde eu ia, e disse-me, devia na altura ter 18, para o ano, vou engravidar e vou precisar da tua ajuda...

Quando ia a casa deles, para as sessões, era tudo tranquilo... ele fazia guisados no meio dos "yas" e "bués" não ouvia mas escutava... ela, com os olhos arregalados, absorvia cada palavra... e eu tinha medo... porque no meio havia sempre alguém, que achava que eles eram demasiado novos ou inexperientes... e palpitavam, e diziam... então dizia sempre: sabes, estou aqui a dizer-te estas coisas, mas, TU és a mãe, logo, Tu tens de fazer as coisas à tua maneira... não à minha ou à de outras pessoas...
E ela acenava que sim!

A bebé nasceu... e passadas duas semanas recebo uma chamada duma cunhada... que vivia com eles.

Identificou-se e começou com o role de acusações:

Se eu achava normal ela dar banho no lavatório.
Com água e sabonete? perguntava eu... ah! claro, ela é quem sabe!

Se eu achava normal ela dar de mamar deitada (???)
dá-lhe jeito? perguntava eu... ah! claro, ela é quem sabe!

Se eu achava normal ela querer sair de casa...
mas deixa a bebé em casa sozinha? perguntava eu...
NÃO.... LEVA-A!!!!
ah!.... que bom, dizia eu....

e ela queria continuar... mas a certa altura eu mandei-a parar. E disse-lhe para nem se atrever a confrontar a mãe com estas coisas... e que no dia que ela própria fosse mãe, iria entender.

Vejo-a na rua, a cunhada, e ela baixa os olhos.
A mãe, vejo-a... tem mais uns aninhos, e tem passado uma vida nada fácil. Mas passa de cabeça erguida, confiante. Mulher/mãe.

Nos grupos de discussão no facebook, onde pertenço. Leio palpites e comentários que são de bradar aos céus... como se houvesse uma maneira de ser mãe. Uma maneira correcta... e nunca ninguém pensa, que aquilo que vai dizer a uma grávida ou recém-mãe, pode abalar para sempre a sua auto-confiança... por isso, estou a escrever este post, que já vai bem longo, para alguém que ontem me ligou a chorar, que não ia ser capaz... Alguém bem crescidinha...
Se as outras conseguem, também conseguirás...
porque não precisas de estudar nenhuma lição, ler livros, tirar cursos, pensar muito... comprar coisas... ou escutar um monte de opiniões...

precisas só de fazer as coisas como TU achares que devem ser feitas... e seres a mãe que já és... e nunca baixares a cabeça... para um dia daqui a muitos anos, poderes dizer como o Frank:

regrets, i've had a few, but then again, too few to mention... i did what i had to do and saw it through, without exemption

i've loved, laughed and cryed...
(...)
to think i did all that
and may i say, NOT in a SHY way
oh no, oh no not me...
i did it MY WAY!!!
for what is a WOman
what has SHE got
if not herself, then she has naught
to DO the things SHE truly feels
and not the things, of one who kneels
the record shows i took the blows and did it my way!


15 comentários:

Costinhas disse...

e eu assino tudo, tudinho por baixo.

aniki bobo disse...

...não tenho tempo para nada..!!! mas para "Te Ler"..... haverá sempre !lindo texto e sábias palavras.

Flor de Lima disse...

E mais nada! :) Adorei!

aldinha76 disse...

Lindo como apesar de nos vermos apenas uma vez, foi a ti que comprei o pano para passear o meu pequenote há 4 anos atrás, em Oeiras na Barrigas de Amor, e concordar com tudo dessa forma linda que disseste, não há maneira A ou B, há a NOSSA maneira cada uma é como cada qual. Sofri alguns comentários menos próprios mas fui avante na minha decisão, o Mateus nasceu em casa com a Doula Sónia Sousa e a Margarida Piló e é o nosso Astro. Tudo a correr 100% para todas. Beijinhos

Rosália disse...

Como concordo com o que dizes...há que não ter medo, que ousar, que ser autêntica...há que ser MÃE! Porque acredito que se o desejamos é porque o sabemos ser...e sê-lo é tão natural! Não se aprende em livros nem se especializa com opiniões de outros.
Obrigada por me encantares com as tuas (estas e outras) palavras!

Wicca disse...

ADOREI este teu post...

Um dia também te vou dizer que preciso de ti...
:)

alexa violeta disse...

Olha, que bom ler este teu texto!

Eu faço parte do "grupo" de mulheres que falas que ainda não são mães mas que opinam muito sobre o tema, porque sou apaixonada pela maternidade e educação em si. Pode não parecer fazer sentido opinar tanto sobre um assunto sobre o qual não temos experiência mas vejo cada coisa... Mulheres que já são mães e prejudicam as crianças pela falta de informação. E pais também, claro! Muitas vezes, simplesmente não querem saber...

Mas tolerância é o mais importante, sim. Obrigada por me lembrares! Um beijinho

alexandra disse...

simplesmente obrigada....

SofiAlgarvia disse...

Concordo com tudo, embora entenda que muitas vezes quem opina, fá-lo com a naturalidade e a vontade de quem quer ajudar... contudo, nem sempre com sucesso!
Como dizia a minha avó paterna, quando falava das dores dela, que nós teimávamos em dizer que não eram assim tão graves, ela respondia: EU é que ME sinto!
Nem mais...

Cal disse...

:) Verdade!

Chuva disse...

Ai, como é bom ler-te!!!
Amo-te, Mulher-Mãe-Amiga!

A happy single mother disse...

Tive acesso a este post através de uma amiga em comum que temos, na vida e no Facebook!
Absorvi cada palavra, pela verdade, pela força, pelo amor e carinho em cada uma...
Se tivesse lido este texto há nove anos, quando tive a minha filha, decerto ajudaria a reestruturar a minha auto-confiança, pois também duvidei se seria capaz, se estaria à altura. Lê-lo hoje ajudou-me a reforçar a certeza de que, sim, nós é que sabemos. Sei a mãe que sou, sei que faço o melhor! Se chega?! NUNCA! Se erro?! SEMPRE! Mas lá está, é a MINHA incapacidade, são os MEUS erros e é assim que quero que continue nos próximos 30 anos(no mínimo!) que tenciono passar ao lado da minha filha, sempre dando o melhor de mim e fazendo tudo "my way"...

(Ah, e tomei a liberdade de a colocar nos meus favoritos, o que significa que vou voltar, pode ser?!):D

Sofia disse...

:)
Que bom ler estas palavras... Às vezes as mães não sabem o tanto que já sabem...
Beijinhos

Tereclopes disse...

Adorei, é assim mesmo sem dúvida nenhuma, tudo feito à nossa maneira sempre com muito amor.E que belo exemplo de canção que foste buscar, uma das minhas preferidas do Francis Albert Sinatra.
Que tudo corra como desejas estou ansiosa para ver essa menininha.
Beijinhos para ti.

Baunilha disse...

pois eu sempre fiz as coisas há minha maneira, quando não tinha experiência ou agora com experiência... nunca dei ouvidos a criticas, sugestões, opiniões... aliás, até dou! àquilo que me interessa... sou selectiva! aprendo com umas e fortaleço-me com outras... irritam-me algumas sim! sobretudo no que diz respeito às minhas modernices... ehehe!! mas compreendo que venham de mentes retrógadas, que ficaram paradas no tempo... e perdoo! :) mas não admito abusos, e basta-me o meu olhar de mãe leoa... que os abrutes fogem! ;)
Gosto imenso do teu blogue, e com ele sim, tenho aprendido muito! obrigada